A Resolução 4.676 do CNM (Conselho Monetário Nacional) aprovada na última terça-feira (31), que estabelece aumento do teto de valor de imóveis novos e usados para financiamento pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação), deve voltar a aquecer o mercado imobiliário em Mato Grosso do Sul. Este aumento é esperado há tempos pelo setor.
A decisão possibilita, a partir de 1º de janeiro de 2019, financiar no Estado imóveis que custem até R$ 1,5 milhão, com recursos do FGTS – que possibilitam juros menores que as taxas praticadas no mercado. Além disso, a expectativa do Banco Central é que a medida injete R$ 80 bilhões em operações de crédito imobiliário. O aumento nas operações deve impulsionar o setor.
Na prática, a decisão do Conselho pode devolver ao mercado a possibilidade de que imóveis de alto padrão ou usados com valores mais altos possam ser comercializados com benefícios de financiamento do SFH. Isso é possível porque o SFH recorre ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Além disso, a resolução também flexibiliza a parcela que os bancos são obrigados a aplicar em crédito imobiliário.
De acordo com a regra em vigência, 65% dos recursos da poupança vão para financiamento de imóveis e 80% deste total (que correspondem a cerca de 52% dos recursos da poupança) devem ser empregados no SFH. Com a nova regra, os bancos poderão utilizar os recursos da poupança para financiar tanto do SFI como no SFH. Não haverá índice pré-estabelecido. Aliás, o aumento deve beneficiar novos segmentos no mercado imobiliário.
“É uma notícia que traz um alento para o mercado imobiliário. Muitos bons negócios não são fechados porque o valor do imóvel excedia o teto anterior e a partir de agora temos como contar com mais uma opção de financiamento”, destaca o vice-presidente do Creci-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul), Eli Rodrigues.
Segundo Rodrigues, o aumento do teto de financiamento pode prosperar um ciclo que movimentará o mercado. Para ele, o financiamento sempre foi a “mola mestre” das vendas de imóveis, principalmente quando valores são altos.
“E é muito comum que quando você procure um imóvel, você também esteja negociando vender um antigo. E o imóvel a ser adquirido pode estar sendo construído. Quer dizer, além do mercado imobiliário, gera-se uma engrenagem que também movimenta, por exemplo, a construção civil”, destaca o vice-presidente.
Por meio de nota, a Caixa Econômica Federa, principal credor de financiamentos habitacionais no país, destacou que a medida também representa um impulso importante no escopo de atuação do SFH, pois melhora as condições de financiamento. “[A resolução] gera ainda a expectativa de maior oferta de imóveis usados, o que pode se constituir num elemento a mais de redução de pressão sobre os preços”, traz a nota.
Também por meio de nota, o Banco Central destacou que o conjunto de aperfeiçoamentos estimula a entrada novos operadores e a melhor segmentação de mercado. “A maior liberdade para contratação pode estimular também o desenvolvimento do mercado de securitização [conversão de papéis] e de títulos com lastro em operações imobiliárias, atraindo novos recursos para o setor”. Como resultado, o aumento nas transações deve ser notado a partir dos próximos meses.
Taxas mais amigáveis
Atualmente, as taxas de juros aplicadas no mercado pelo SFH são mais amigáveis – parte disso, pela taxa Selic, que foi mantida neste mês no menor índice histórico, em 6,5% ao ano.
“Um limite mais baixo provoca juros mais altos, então os imóveis ficam mais caros no fim das contas. A decisão do CMN, portanto, possibilita, juros mais baixos. É como um respiro, vai facilitar as transações comerciais e gera uma perspectiva muito boa ao mercado. Às vezes pode demorar para entrar nesse ritmo, mas certamente haverá impacto positivo a partir de 2019”, comenta o economista Celso de Medeiros, especialista em análise de mercados imobiliários. Por fim, é importante ressaltar que o aumento beneficia compradores e vendedores de imóveis.
Vale lembrar que os imóveis que excedem o teto passam a ser financiados pelas regras do SFI (Sistema Financeiro Imobiliário), que diferente do SFH, tem taxas de juros bem mais altas e definidas livremente pelo mercado. “Do jeito que está, acaba não sendo a melhor opção, porque o preço aumenta bastante. Então há uma estagnação nesse mercado”, finaliza Medeiros.
Fonte: www.midiamax.com.br