Com expectativa de vida chegando aos 80, colaboradores acima de 60 anos devem ser considerados pelo mercado de trabalho pelas empresas por suas qualidades e vivências profissionais
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa aumentou em 26% no Brasil entre os anos de 2012 e 2018. O instituto projeta ainda que, já em 2060, o país terá mais idosos do que jovens. Frente a esse cenário, é muito importante que esse público seja respeitado – e inserido – no mercado de trabalho brasileiro.
É comum que os desafios para a contratação comecem logo após os 40 anos, mesmo que apenas aos 60 o indivíduo possa ser considerado idoso. Empresas podem alegar que, nessa faixa etária, os profissionais já não possuem a mesma energia ou até mesmo as ideias inovadoras dos jovens. Por outro lado, vemos que muitos talentos poderiam contribuir de forma efetiva para o mercado de trabalho.
De acordo com Marcio Saviolo, gerente de vendas na Buriti Empreendimentos, que completou 60 anos esse ano, o maior desafio é, de fato, ser aceito pelos mais jovens. “Ainda precisamos lidar com a dúvida da nossa capacidade ou não, de executar determinadas tarefas”, diz. Aliás, para quem busca crescer no mercado de trabalho, aceitar as diferenças é um passo fundamental.
Moisés Carvalho, um dos sócios-diretores da Buriti, explica que o colaborador em idade madura tem muito a oferecer para o crescimento de um negócio, tanto pela sua mão de obra qualificada como pela sua ampla vivência. “Costumam ser pessoas comprometidas, resilientes e sábias, além de assumirem com mais responsabilidade a cultura da empresa”, afirma. Assim, integrar pessoas experientes ao mercado de trabalho é benéfico.
Ainda segundo com o diretor, é preciso sempre enxergar além da idade, avaliando as competências desses profissionais frente a uma vaga ou ao trabalho que já executam. “Uma empresa precisa de um quadro de colaboradores diversificado para engrenar. Assim, da mesma forma valorizamos os jovens pelo frescor de suas ideias transformadoras, deve-se também reconhecer aqueles que trazem conhecimentos pautados em anos de experiência”, reitera Moisés Carvalho. Desse modo, todos ganham ao olhar para o mercado de trabalho como um ambiente heterogêneo.
Idade e tecnologia
Além do etarismo, outro obstáculo comum para a terceira idade atualmente é o uso da tecnologia. Habituados com papéis e métodos mais burocráticos, esses trabalhadores podem enfrentar dificuldades na adaptação com processos digitalizados. Por isso, é imprescindível oferecer treinamentos tecnológicos para que o ajuste seja mais eficiente, e o desempenho mais produtivo nas exigências do mercado de trabalho.
“Idosos podem, sim, render excelentes resultados. A empresa precisa se preocupar em como adequar esses profissionais a suas funções, seja em uma nova contratação ou quando ele já é contratado e o próprio negócio está passando por uma transformação tecnológica. Na Buriti, por exemplo, Marcio Saviolo é um gerente muito importante e estratégico para empresa com alto nível de experiência e dedicação na sua função”, relata Sidney Penna, também sócio-diretor da Buriti Empreendimentos. Portanto, um ambiente inclusivo é essencial no mercado de trabalho.
Saviolo comemora o tratamento e cuidado que recebe na empresa. “Sou tratado com muito carinho, cordialidade e elogios. Na Buriti – ainda bem – temos vários idosos em atividade e não verificamos casos de etarismo acontecendo”, finaliza o gerente. A valorização de talentos maduros enriquece o mercado de trabalho brasileiro.