A Abrainc fez um levantamento que indica que uma queda de 1% nos juros do financiamento pode incluir até 2 milhões de famílias no mercado imobiliário
Os dados de aumento de lançamentos demonstram que o setor está mais confiante para investir. Em 2019, tivemos a consolidação da Lei de Distrato, o que promoveu uma maior segurança jurídica.
A relação distrato sobre venda caiu para 20%, sendo que o número era de 50% nos últimos anos. Isso contribuiu para melhorar a efetividade das vendas das empresas.
E essa tendência positiva é destacada pela queda dos juros. A taxa Selic caiu para 4,5%, atingindo a sua menor marca da história. Isso reflete também nos juros futuros – que medem a confiança do mercado – e possibilita a oferta ao crédito imobiliário. A Abrainc fez um levantamento que indica que uma queda de 1% nos juros do financiamento pode incluir até 2 milhões de famílias no mercado imobiliário.
Portanto, a cada ponto percentual na variação da taxa de juros, em média o mercado aumenta em 16%. Outro ponto de destaque em 2019 foi a criação da modalidade de crédito imobiliário indexado ao IPCA. Esse modelo já está tendo uma grande procura pelos correntistas da Caixa. Além disso, foi recém lançado pelo Banco do Brasil.
E mantendo essa tendência, a Caixa irá lançar no primeiro semestre de 2020 o produto de crédito pré-fixado. Essas iniciativas ampliam o leque de opções ao consumidor. Elas demonstram o apetite das instituições ao crédito imobiliário.
A forte redução da taxa de juros abre a oportunidade para novas formas de financiamento, como fundos imobiliários CRI’s (Certificado de Recebíveis Imobiliários). Até o momento, esses fundos ainda têm pouca participação no segmento residencial.
Além disso, a LIG (Letra Imobiliária Garantida), inspirada nos covered bonds, surge como uma grande oportunidade de funding alternativo. E a expectativa de crescimento para 2020 é muito positiva para o setor. O PIB da construção civil teve um aumento de 1,3% no terceiro trimestre de 2019, sendo duas vezes maior que o PIB Brasil (0,6%). Foi o segundo aumento trimestral consecutivo do setor.
Para 2020, esperamos um crescimento nos lançamentos de 20% a 30% no segmento MAP. Para o MCMV, a estimativa é de um aumento nos lançamentos próximos dos observados nos últimos anos, de 5% a 10%. O crescimento do mercado em 2020 tem capacidade para ser ainda maior caso haja disponibilidade de funding. Um levantamento da Abrainc mostra que o mercado imobiliário teria potencial para construir até 1 milhão de novas moradias.
A partir desse cenário, o setor geraria 5.5 milhões de postos de trabalho. Isso iria corresponder a 5% de todos os empregos gerados no país.
Em 2019, o setor gerou 15% do total de empregos formais criados no Brasil. De 2018 para 2019, houve um crescimento de 52% na geração de empregos, o que demonstra mais uma vez a retomada positiva. O Brasil está no caminho certo para alcançar voos maiores e mais tranquilos. Após um período de turbulência, vivemos o momento de promover novos investimentos e acesso à moradia de qualidade. O intuito é reduzir o déficit habitacional. Com segurança jurídica e com economia forte, o setor está motivado e engajado alcançar esse objetivo.
LUIZ ANTONIO FRANÇA – Presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).
Fonte: https://www.infomoney.com.br